A República surgiu envolta num sonho de transformação radical do país. Em 1910 só a França e a Suíça eram repúblicas na Europa. Portugal queria ser a próxima e pensava-se que assim se levaria o país a um progresso súbito no campo da educação, da economia, da justiça social e da cidadania. Portugal passaria a ser uma outra França, ou melhor ainda uma Suíça, pequeno país, mas grande em termos de desenvolvimento económico e social.
O facto de qualquer cidadão poder ser Chefe do Estado seria o símbolo e sinal de que o Estado passava a ser realmente de todos nós. Deixaria de se falar em termos de nós e do Estado como coisa estranha, para se passar a pensar em termos todos nós como cidadãos sermos responsáveis pelo Estado, por pensar em conjunto o que todos devemos fazer para tornar a nossa comunidade mais apta a responder aos anseios comuns.
É evidente que a República foi um sonho largamente falhado. Muitos pensaram que bastava mudar de regime e de bandeira para emergirem grandes virtudes cívicas – acabaria a fuga aos impostos, acabaria a corrupção, todos procurariam o bem comum e não o benefício privado, o deficit das contas públicas seria uma preocupação de todos, e todos estariam dispostos a sacrifícios para o corrigir. Não foi assim há cem anos, não é provavelmente assim hoje passados cem anos.
A própria Primeira República (1910-1926) esteve longe de cumprir as suas promessas. Os republicanos tinham prometido o voto para todos e um referendo para legitimar o novo regime; mas chegados ao poder, temendo o voto dos camponeses conservadores, limitaram os votantes apenas aos homens que sabiam ler e escrever, e nunca fizeram um referendo sobre o novo regime.
A maioria da população continuou a não saber sequer ler e escrever, e os progressos na educação foram muito lentos entre 1910-1926 (a taxa de analfabetismo desceu alguns pontos. mas manteve-se perto dos 70%).
O Partido Republicano tomou conta do Estado no golpe de 5 de Outubro de 1910, e ganhou todas as eleições de 1910 até 1926, excepto num curto período em que foi afastado do poder por um outro golpe. No entanto, os próprios membros do Partidos Republicano não se entendiam entre si, todos queriam o poder, por isso houve muita instabilidade. Houve até um governo que só durou um dia!
A Primeira República não respeitou portanto um princípio básica das democracias liberais – a alternância de partidos no poder. As oposições conservadoras convenceram-se de que era impossível chegar ao poder pela via das eleições e acabaram por tomar o poder pela força – mas com muitos apoios na época – em Maio de 1926. Depois, Salazar aproveitando os erros e as promessas falhadas da República, acabou por ir tomando conta do poder a partir de 1928, e formou o uma República autoritário, o Estado Novo, que durou até 1974. A República não foi, portanto, nem guarantia de mais democracia, pois até acabou transformada em ditadura, nem de maior progresso, pois Portugal continuou na cauda da Europa.
Só depois do golpe do 25 de Abril de 1974, e com a nova constituição democrática de 1976, e graças a um grande apoio da Europa mais desenvolvida no quadro da CEE, Portugal se transformou numa República verdadeiramente democrática e alcançou maior qualidade de vida.
Mas a grande lição da mudança de regime de 1910 é que não basta mudar a constituição e as leis, não basta deixar de ter um rei e passar a ter um presidente da República eleito para que os problemas económicos de fundo de Portugal se resolvam. Não basta passarmos a ser uma República para que os cidadãos deixem de falar em termos de nós e do Estado, ou até de nós contra o Estado. A República não chega para nos levar a atuar realmente como cidadãos empenhados em melhorar as coisas também pela nossa acção.
República vem da expressão latina Res Publica que significa a Esfera Pública, aquilo que é da responsabilidade de todos. O rei D. Carlos (1889-1908), que foi assassinado num atentado republicano, dizia que em Portugal havia monarquia, mas quase não havia monárquicos – ou seja, pessoas dispostas a servir o país e as suas tradições, em vez de se preocuparem apenas em servir os seus próprios interesses. Depois de 1910 muito líderes republicanos acabaram por dizer que em Portugal havia República, mas também quase não havia republicanos, ou seja pessoas dispostas a servir o interesse geral, o bem público.
Símbolos da República
A Bandeira Nacional :: http://centenariorepublica.pt/escolas/s%C3%ADmbolos-da-rep%C3%BAblica/bandeira-nacional
O Hino Nacional :: http://centenariorepublica.pt/escolas/s%C3%ADmbolos-da-rep%C3%BAblica/o-hino-nacional
Não deixes de consultar o programa Programa das Comemorações do Centenário da República que integra um vasto conjunto de realizações organizadas em vários eixos programáticos, entre os quais o «República nas Escolas :: http://centenariorepublica.pt/escolas/homepage/rep%C3%BAblica-nas-escolas